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Antes o maior do mundo, Citi já vale menos que Itaú e Bradesco

PORTAL EXAME

Prejuízo com títulos hipotecários derrubou o valor do conglomerado americano

 

Portal EXAME  Após ter se tornado o maior conglomerado financeiro do mundo na década passada e chegar a ser avaliado pelo mercado em mais de 300 bilhões de dólares, o Citigroup não conseguiu apresentar os resultados financeiros esperados nos últimos dois anos e agora já tem um valor de mercado inferior ao dos dois maiores bancos privados brasileiros: Itaú e Bradesco. Com a forte desvalorização sofrida nos últimos dias, todas as ações do Citigroup passaram a valer 20,9 bilhões de dólares, o que, segundo a consultoria Economática, seria suficiente para ocupar apenas a sétima posição no ranking americano, atrás de JPMorgan, Wells Fargo, Bank of America, US Bancorp, Goldman Sachs e Bank of NY Mellon. Esse montante também é menor que o valor do Itaú (27,6 bilhões de dólares, ainda sem contar o valor do Unibanco porque a fusão ainda não foi concluída) e do Bradesco (25,9 bilhões), os dois mais valiosos bancos brasileiros.

Em crise, o Citi anunciou nesta sexta-feira um novo plano de reestruturação. O banco teve um prejuízo de 8,29 bilhões de dólares no quarto trimestre, completando 15 meses seguidos de perdas. Nesse período, as baixas contábeis geradas por empréstimos que provavelmente não serão pagos alcançaram 92 bilhões de dólares. Para tentar recuperar seu capital, o banco decidiu desmontar o conglomerado financeiro.

O Citi vai se dividir em duas unidades operacionais. Uma vai se concentrar nas operações bancárias e a outra irá se dedicar a corretagem, gestão de ativos e financiamento a consumidor, reunindo ativos que precisam de gestão especial. A expectativa é que parte dos ativos do conglomerado sejam vendidos – e que inclusive a operação brasileira possa ser negociada. Ao final do processo, o tamanho do Citi pode encolher em um terço.

Em novembro, o banco já havia recebido 20 bilhões de dólares em injeção de capital com os recursos do pacote de ajuda do governo americano aos bancos. O governo também concordou em garantir mais de 300 bilhões de dólares em créditos podres do Citi, mas nem isso foi capaz de tranquilizar o mercado em definitivo.

O Citi havia se tornado o maior conglomerado financeiro do mundo em 1998, com a fusão do Citicorp com o Travelers Group. No começo desta década, a parte de seguros do Travelers foi separada em uma nova empresa, atualmente chamada de Travelers Companies. Hoje a Travelers vale 23,3 bilhões de dólares, um valor também maior que o do próprio Citigroup.