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Alimentação fora de casa ficou 43% mais cara em uma década

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DIÁRIO DO GRANDE ABC

Prato principal, bebida, sobremesa e café passaram de R$ 29,85 em 2013 para os atuais R$ 42,83 na região Sudeste

Restaurantes, bares, cantinas ou supermercados. Seja qual for o lugar, os consumidores percebem continuamente as altas expressivas em cada produto. Apesar de muitos proprietários segurarem os repasses, o preço médio para almoçar fora de casa na região Sudeste do Brasil aumentou 43,4% na última década. Enquanto, em 2013, uma refeição completa (prato principal, bebida, sobremesa e café) custava R$ 29,85, agora soma cerca de R$ 42,83.

Os valores em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo superam as médias nacionais, de R$ 27,40 em 2013 e R$ 40,64 em 2022, de acordo com o levantamento da Ticket, marca de benefícios de refeição e alimentação da Edenred Brasil, com base nos indicadores da Pesquisa +Valor.

Os índices são puxados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acumulou acréscimo de 11,89% nos últimos 12 meses. Em junho, alimentação e bebidas (0,80%) foi o terceiro grupo que gerou aumentos no IPCA, perdendo apenas para vestuário (1,67%) e saúde e cuidados pessoais (1,24%).

“Os estabelecimentos têm se esforçado para não repassar o valor do aumento dos alimentos para o consumidor final. Eles se desdobram além da diversificação e ampliação de seus canais de venda para atravessar esse cenário desafiador com os impactos da pandemia”, comenta Felipe Gomes, diretorgeral da Ticket.

Apesar dos esforços, há aqueles clientes que decidem deixar os restaurantes de lado e priorizar a comida caseira. “Monto a marmita na hora de fazer a refeição em casa, assim não preciso gastar um valor a mais. Também tento variar em alimentos que não estejam tão caros, comprar em feiras, mercados locais etc.”, diz a secretária acadêmica Bianca Bertolani, 21 anos, do Jardim Paraíso, em Santo André.

Se não fosse o vale-refeição, o analista de comunicação júnior Guilherme Vita, 20 anos, também levaria marmita para o trabalho. “Vou presencialmente uma vez por semana. Os restaurantes próximos da empresa, que fica na Faria Lima, são caros. Além do almoço, sempre tem aquele biscoito à tarde na hora da fome. Ficaria difícil arcar com todos os custos de alimentação”, destaca o morador do Jardim das Maravilhas, em Santo André.

Para economizar, não são apenas os consumidores que estão fazendo substituições. Desde março, o proprietário do restaurante Vovó Nair, no Centro de Santo André, nota que a inflação está interferindo mais no empreendimento. Por isso, monta o cardápio de acordo com os valores de cada item. “Tenho um teto de custo. Estipulo que vou pagar R$ 30 no quilo, por exemplo. Se passar disso, não pego. A muçarela foi um dos alimentos que subiram muito. Não teve lasanha, nem parmegiana nos últimos dias”, explica Leandro Dalesio, 42 anos. Mesmo com a estratégia, o lucro diminuiu. “Estou fazendo sacrifícios, não alterei o preço do sistema ””coma à vontade””. Com certeza afeta a renda, mas acredito ser algo temporário.”

Por outro lado, Aristeu Marco, 65 anos, perdeu cerca de 15 clientes nas últimas duas semanas depois de aumentar R$ 3 no self-service. “O movimento caiu agora que o quilo foi reajustado para R$ 63. Nossa margem de rentabilidade é pequena, praticamente nula. Todos os alimentos estão caros”, ressalta o proprietário do Restaurante Jardim, no Jardim do Mar, em São Bernardo.

Segundo ele, produtos como óleo, leite, queijo, vagem e mandioquinha estão pesando na hora de fechar as contas. “De sexta-feira, temos carnes nobres, como picanha. Não dá mais para comprar salmão. Os legumes, que antes equilibravam, subiram também.”

No Brasil, o preço médio do à la carte é de R$ 64,83, enquanto prato feito é de R$ 30,59 e o self-service fica em torno de R$ 35,91, segundo a ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador).

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