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Álcool fica mais barato na usina, mas não nos postos

Preço caiu R$ 0,39 para o produtor e só R$ 0,09 na bomba: distribuidora lucra
HELENICE LAGUARDIA

O preço do litro de álcool nas usinas de Minas Gerais caiu R$ 0,39, mas o consumidor não sentiu a mesma queda. No posto, a diferença que chegou ao consumidor foi de apenas R$ 0,09, após um comparativo entre os preços médios de janeiro e a mais recente cotação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, que baliza os preços nas usinas mineiras. No trajeto, quem lucrou foram as distribuidoras, que repassaram aos postos somente uma queda de R$ 0,11.

O vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, disse que as grandes empresas têm estoques elevados, com álcool comprado há algum tempo. "Essa queda apontada é de pequenas negociações de volume de venda, não refletem a realidade", afirmou ele que considera a queda "fictícia".
Para Alísio Vaz, são poucas as usinas que estão negociando álcool. "As distribuidoras estão estocadas em função da queda do consumo", justificou.

"A queda é um reflexo da nova safra que já está iniciando e será grande. Mas, quando o preço cai ao produtor, é preciso que repassem para o consumidor. Só dessa forma o consumo vai aumentar", avaliou o superintendente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.

O presidente do Minaspetro, Sérgio Mattos, confirma a vantagem do atravessador. "Quem interfere está entre as usinas de álcool e a revenda, é exatamente a distribuidora. Nem sempre a distribuidora repassa integralmente as reduções imediatas para a revenda", afirmou.

Além do cálculo das perdas do consumidor, o economista do Siamig chama a atenção para a tributação. "O preço ponderado, que o Estado leva em conta, era de R$ 1,97 até fevereiro e passou para R$ 2,09 em março, mas o preço médio do litro do álcool já caiu para R$ 1,99 na bomba, no Estado", explicou ele, que ainda espera mais quedas. Em Minas Gerais, para cada litro de álcool vendido, são cobrados R$ 0,52 correspondentes ao ICMS.

Em Belo Horizonte, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o valor médio do álcool foi de R$ 1,96 de 7 e 13 de março. Mas, em alguns postos, foi praticado o valor mínimo de R$ 1,69, chegando ao máximo de R$ 2,29 para o litro.