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O comércio na Europa para empreendedores brasileiros

 

 

 

 

 

Maria Gabriela Ortiz

Empreender no continente europeu pode ser uma ótima alternativa para brasileiros

O empreendedorismo no Brasil só aumenta. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2018, que tem o apoio do IBQP e do Sebrae no Brasil, 38% da população brasileira de 18 a 64 anos já é empreendedora ou está envolvida na criação de um negócio.

Os números são positivos, principalmente quando comparados com a edição de 2017 da pesquisa, que mostrou que 36,4% (49,332 milhões) da população de 18 a 64 anos estava envolvida com empreendedorismo.

Uma oportunidade interessante para quem já empreende ou tem o processo em mente é optar pelo comércio em países europeus, que permitem atingir um público diferente e trazem a possibilidade real de mudança de vida e de rotina.

Vamos aprender mais sobre o comércio na Europa para os empreendedores do Brasil e o que pode ser feito para tornar esse desejo em realidade.

 

Quais são as melhores oportunidades de negócio para a Europa?

A resposta para essa pergunta pode vir pelos números do comércio exterior entre Brasil e União Europeia, o que ajuda a entender melhor quais são as demandas presentes nos dois lados dessa relação comercial.

Os dados, disponibilizados pela Secretaria de Comércio Exterior, são relativos ao ano de 2017 e compreendem as principais categorias de produtos embarcados do Brasil para a União Europeia, seguido das exportações da União Europeia para o Brasil, em milhões de dólares:

-Produtos minerais:257 / 2.654

-Produtos do reino vegetal (café, soja e etc.):043 / 458,5

-Produto das indústrias alimentares e bebidas:998 / 977,7

-Metais:906 / 1.912

-Máquinas e aparelhos elétricos:864 / 8.219

-Madeira, papel e celulose:609 / 479,07

-Indústria química e farmacêutica:525 / 9.159

-Pérolas e pedras preciosas:410 / 119,8

-Animais vivos e produtos do reino animal (carnes, peixes e etc.):051 / 180

-Material de transporte: 855,1 / 2.954

-Plásticos e borrachas: 718,2 / 2.124

-Peles e couros: 566,7 / 59,14

-Automóveis: 313,5 / 2.241

-Calçados e artefatos: 254,7 / 28,78

-Materiais têxteis: 122,7 / 304,02

 

Na maioria das categorias, o Brasil mais exporta do que importa, o que mostra que os produtos e matérias-primas disponibilizados pelo país são bem aceitos em território europeu. Para fins de comparação, a soma das exportações dessas categorias foi de US$ 34,494 bi, enquanto as importações atingiram US$ 31,870 bi.

Algumas das áreas chamam a atenção pela diferença entre exportação e importação, como os produtos do reino vegetal (US$ 6,043 bi x US$ 458,5 mi) e das indústrias alimentares e bebidas (US$ 5,998 bi x US$ 977,7 mi), as quais podem ser boas oportunidades empreendedoras de comércio para o mercado europeu.

Há um ponto que pode melhorar ainda mais essa questão, que é o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, o qual já é comentado desde 1995, posteriormente à assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação Inter-Regional (AQCI) e que já passou por pelo menos 30 rodadas de negociação.

Uma nova rodada sobre o assunto foi marcada para o mês de maio na cidade argentina de Buenos Aires e, caso o acordo seja concretizado, existe a expectativa de que as vendas de manufaturados do Brasil à Europa possam aumentar em até 3 vezes.

Porém, ainda assim, resta uma dúvida importante: quais países escolher para iniciar o empreendimento?

 

Bons países europeus para brasileiros empreenderem

No bloco de países da Europa, alguns se mostram como oportunidades ainda mais interessantes para os empreendedores.

 

Portugal

O país conta com o Programa StartUP VISA Portugal, que tem como objetivo acolher empreendedores estrangeiros que queiram iniciar um projeto em Portugal, com a possibilidade de receber um visto ou autorização de residência.

A ideia do negócio será analisada pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), responsável por gerenciar o programa, e para que possa evoluir à próxima etapa, pelo menos uma incubadora homologada pelo Instituto tenha interesse no projeto.

Posteriormente, o empreendedor entra em uma etapa mais burocrática, onde precisa explicar quanto pretende faturar, quão escalável é o negócio e como será feita a aderência à cultura local, entre outros detalhes.

Caso avance em mais essa fase, o empreendedor assina um contrato com a incubadora e começa a realizar seu projeto em terras portuguesas. Vale a pena conferir essa oportunidade, que tem como ponto principal a facilidade linguística para lidar com o processo.

 

França

O país da liberdade, igualdade e fraternidade também possui um bom programa para a criação de novas empresas. As de pequeno e médio porte que se instalam no país podem receber abatimento em crédito fiscal em relação ao ano anterior, o que é uma vantagem e tanto.

O país disponibiliza € 1,5 bilhão em financiamento para empresas com projetos inovadores e € 400 milhões para startups, além de outros € 500 milhões para ajudar pólos de inovação.

É possível obter um visto especial a quem criar pelo menos dois empregos no país ou que possua uma garantia de pelo menos € 300 mil para investimentos na companhia.

 

Bônus: Chile

Além dos países europeus, também é possível contar com oportunidades na América Latina, como o Start-Up Chile, que é um programa interessante para atrair empreendedores internacionais.

Há três opções de programas oferecidos pelo país norte-americano, sendo um deles o “The S Factory”, que visa acelerar startups que sejam lideradas por mulheres. A experiência inicial é de 4 meses e o financiamento oferecido é de aproximadamente US$ 25 mil.

Uma nova sessão do programa voltado às mulheres empreendedoras se iniciará no dia 14 de maio, com resultados divulgados em 21 de junho e início previsto para 19 de agosto.

 

Empreenda fora do Brasil!

Se você já tem o desejo empreendedor correndo em suas veias e neurônios, então aproveitar a oportunidade de colocar esses planos em prática em outros países é um incentivo e tanto para manter-se firme.

Por isso, compare as ofertas disponíveis e torne-se o mais novo empreendedor internacional. Ah, e não se esqueça de contar com uma empresa de tradução para ajudar com toda a parte burocrática e não deixar as barreiras linguísticas lhe impedirem!