Classe C na Paraíba cresce 45% em cinco anos e supera média do país
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A classe C, a nova classe média paraibana, cresceu 45,41% no período de 2003-2008 e se consolida como a maior classe social do Estado ao ultrapassar a ‘D’ que, em 2008, perdeu 2,7 pontos percentuais (31,7%). Nesse intervalo, a população do Estado da ‘C’ passou de 22,9% (2003) para 33,3% (2008), uma média de 45,41% contra um crescimento médio de 31% da ‘C’ nacional. Os dados foram divulgados, ontem, pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) intitulado “Consumidores, Produtores e a Nova Classe Média: Miséria, Desigualdade e Determinantes das Classes”, que é baseado nos indicadores sociais nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2008. Se for considerado um período mais longo (1993-2008), o crescimento da nova classe média chegou a 116,2%. Para se ter uma ideia da evolução, em 1993, apenas 15,4% da população do Estado pertencia à classe C. O conceito de classe média utilizado pelo estudo é a soma da renda familiar entre R$ 1.115 a R$ 4.807.
De acordo com os dados regionais da pesquisa, a Paraíba com 33,3% da população registrou apenas a 5ª maior taxa do Nordeste em 2008 para a nova classe média (classe C). Já os Estados do Rio Grande do Norte (39,6%) e Sergipe (37,5%) lideram na Região Nordeste a taxa da população do Nordeste para a chamada nova classe média em 2008. Os Estados da Bahia (33,9%) e do Ceará (33,3%) apresentaram taxas da classe C próximas à da Paraíba. No país, a classe ‘C’ é formada por 49,22% da população, quase 16 pontos percentuais acima da taxa paraibana.
Segundo a FGV, no período ao mesmo tempo que surgia a nova classe média também houve redução da pobreza, que veio por intermédio da melhora da oferta de trabalho nos últimos cinco anos, aumento do salário mínimo e dos programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Na Paraíba, o número de domicílios com renda da população pobre (inferior a R$ 804), representada pela classe ‘E’, vem decrescente nos últimos 16 anos. No período de 1993-2008, a queda chegou a 50,84% enquanto em 2003-2008 a redução foi de 38,26%, porém, proporcionalmente mais intensa. Em 2003, mais de 47,3% da população paraibana era considerada pobre, caindo para 29,2%, em 2008, uma redução de 18,1 ponto percentual que migrou para a classe ‘D’ e, posteriormente, ‘C’, com maior poder aquisitivo.
Para o coordenador do estudo da FGV, Marcelo Neri: “Essa é a década da redução da desigualdade, já por sete anos consecutivos. É uma marca expressiva. Ela acaba engendrando desde a redução da miséria até o aumento de seguimentos médios da população, como a chamada nova classe média”, frisou. O estudo aponta ainda que a maioria dos idosos faz parte dessa nova classe média. Os programas de transferência de renda do governo federal para aposentados e pensionistas são apontados como um dos fatores dessa ascensão.
Já a classe ‘D’ paraibana, com renda de R$ 804 a R$ 1.115, que até o ano de 2007 detinha a maior população do Estado (34,4%), mas perdeu 7,8% dos seus domicílios em 2008. Essas famílias ganharam renda e migraram para a classe ‘C’. Para se ter uma ideia, somente entre 2007 e 2008, a classe C do Estado ganhou 5,2 pontos percentuais (passando de 28,1% para 33,3%) dos quais 2,7 pontos percentuais da ‘C’, que vieram da ‘D’.


